Grandes empresários da exibição cinematográfica: Eli Jorge Lins de Lima

Texto publicado na Revista Exibidor, em fevereiro de 2016.

Eli Jorge Lins de Lima, um dos maiores entusiastas do mercado cinematográfico

Sua trajetória profissional agrega mais de 50 anos.
Esta é uma homenagem da Revista Exibidor a Eli Jorge de Lins Lima ou "Seu" Eli, como era carinhosamente chamado pelo mercado.



O presidente da rede de cinemas Centerplex e presidente do Sindicato das Empresas Exibidoras Cinematográficas do Estado de São Paulo - SEECESP, faleceu no início de janeiro de 2016 devido a complicações de um câncer. Nascido em 1947, na cidade de Bezerros (PE), "seu" Eli começou sua paixão por cinema já criança quando colava cartazes dos lançamentos em troca de ingressos, e, já na década de 1950, em São Paulo, conseguiu um emprego no antigo cine Cairo.

Entre 1960 e 1970, o executivo iniciou sua trajetória na área de distribuição ao entrar na Fama Filmes e chegou a atuar também na Condor Filmes e na Paris Filmes, onde permaneceu por 15 anos e chegou à função de gerente de vendas. Foi graças às muitas viagens que, "seu" Eli encontrou um cinema de rua fechado na cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais. Ele então decidiu assumir o espaço, reformá-lo e o colocá-lo para funcionar novamente. Esse primeiro cinema ficou ativo durante 28 anos.

Foi aí que nasceu a São Luiz de Cinemas, que depois trocou de nome para Centerplex, uma das 15 maiores exibidoras no mercado nacional.

O executivo ainda atuou no SEECESP, onde criou o Prêmio ED, que contempla as melhores práticas do mercado de exibição e distribuição desde 2008, e ficou conhecido por sua influência e liderança junto aos pequenos exibidores.

Agora o mercado brasileiro teve de se despedir de um profissional com mais de 50 anos de carreira e um dos maiores entusiastas do setor. "Seu" Eli será lembrado por exibidores e distribuidoras por seu otimismo e paixão pelo cinema.

Seu legado inclui também a atuação de dois filhos (Marcelo e Marcio Lima) que atuam no mercado, fruto de seu exemplo e dedicação.



Centerplex, um dos frutos do seu trabalho na cinematografia

Juntamente a outros dois sócios, "seu' Eli assumiu a difícil tarefa de reabrir um cinema em Poços de Caldas (MG). Começava ali a história da Centerplex.

Os anos passaram, um dos sócios faleceu e "seu" Eli comprou a parte do segundo sócio, ficando, portanto, sozinho para liderar o negócio e abrir outros cinemas de rua pelo interior de São Paulo e Minas Gerais. Assim foi a década de 80.

No início de 90, a empreitada já tomava corpo e a rede São Luiz de Cinemas contava com mais de dez cinemas. Foi então que a crise, originada pelo Plano Collor e pela popularização do videocassete, obrigaram o "seu" Eli a fechar as portas de boa parte dos espaços, ficando apenas com dois cinemas: Cine São Luiz (Poços de Caldas - MG) e Cine Vera Cruz (Capivari - SP).

Foram anos difíceis e de retomada para o setor como um todo, que tiveram novo fôlego com as exibições de "O Rei Leão" (1994) e "Titanic" (1997). O lucro obtido com a bilheteria destes filmes permitiu prospectar novos horizontes e reconquistar o mercado.

Na sequência, vieram outros cinemas de rua pelo interior: Atibaia (SP), São Lourenço (MG), Espirito Santo do Pinhal (SP), Mauá (SP) e São José do Rio Pardo (SP).



A marca "Centerplex Cinemas" surgiu quando o primeiro cinema localizado dentro de um centro de compras foi inaugurado, na ocasião o Shopping Center Lapa (São Paulo - SP). Foi neste momento que o "seu" Eli sugeriu mudar o nome da rede São Luiz de Cinemas para Center (centro) + Plex (complexos) e, então, nasceu a marca.

De lá para cá, novas inaugurações: Lavras (MG), Itapevi, Suzano, Mogi das Cruzes, Caraguatatuba (SP) e o nordeste brasileiro (Maracanaú - CE, Caruaru - PE, Fortaleza - CE).

Alguns cinemas fecharam e outros passaram por um processo de modernização para acompanhar a evolução do mercado. Assim, a rede conta hoje com 14 complexos e 54 salas espalhadas pelo Brasil. É da Centerplex, também, o primeiro cinema nacional a abrigar duas tecnologias de som imersivo em um mesmo complexo (Auro, da Barco, e Dolby Atmos, da Dolby Laboratories).

"Posso dizer que sou um vitorioso, conquistei meu espaço, tenho vários amigos, colaboradores e várias pessoas que me apoiam desde o início. Eu adoro cinema. Não me vejo fazendo outra coisa", disse "seu" Eli em uma das entrevistas à Revista Exibidor.
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.