Caixa Belas Artes comemora um ano de reabertura

No dia 19 de julho de 2014, a Prefeitura de São Paulo, em parceria com a sociedade civil, devolvia à capital paulista um de seus espaços culturais mais simbólicos: o cine Belas Artes – hoje, CAIXA Belas Artes, em decorrência do apoio do patrocinador.
“Há um ano a cidade reabriu um dos seus cinemas mais queridos, e isso não teria sido possível sem a articulação entre Prefeitura e Caixa, e sem o apoio de milhares de pessoas do Movimento Cine Belas Artes (MBA)”, diz Nabil Bonduki, Secretário Municipal de Cultura.

Reinauguração em 19/07/2014 - Foto: Cesar Ogata/SECOM


A reabertura do espaço foi conquistada depois de uma série de negociações que envolveram Secretaria Municipal da Cultura – quando o então secretário era Juca Ferreira, atual Ministro da Cultura –, Caixa Econômica Federal, Movimento Cine Belas Artes (MBA) e o diretor de programação do espaço, André Sturm. No dia, uma multidão de cinéfilos se aglomerou na frente do cinema em clima de celebração.
“Depois de três anos fechado, o desafio era imenso. Foram meses de negociação para chegarmos ao patrocínio e ao acerto jurídico. Faltava o poder público afirmar o valor inestimável do cinema e se unir ao movimento, e isso sensibilizou a Caixa”, explica Alfredo Manevy, diretor-presidente da Spcine que, à época, era secretário-adjunto da Secretaria Municipal da Cultura.
Entre as contrapartidas negociadas com a Caixa e o gestor do cinema estão uma sala programada diretamente pela Spcine, um programa educativo pelas manhãs, além de preços mais acessíveis de ingresso e itens da bombonière. Para Sônia Regina, gerente de marketing cultural da Caixa Econômica Federal, é com sensação de dever cumprido que a instituição celebre o primeiro ano do cine CAIXA Belas Artes. “Para nós, mais do que um espaço de cultura e lazer, o cinema é um símbolo da cidade, um espaço democrático, acessível, com programação de qualidade. Participar deste projeto significa apoiar a promoção da cultura para todos os cidadãos de São Paulo”, declara.
“Eu assumi um compromisso de que a Prefeitura atuaria no sentido de reabrir o Belas Artes. Nós encontramos uma forma muito interessante que é a venda de direitos de nome. Então, foram conseguidos os recursos necessários para viabilizar o empreendimento do ponto de vista econômico e financeiro. Foi uma operação muito bem sucedida”, afirmou o prefeito Fernando Haddad no momento da reinauguração.

Reinauguração em 19/07/2014 - Foto: Cesar Ogata/SECOM


Exatamente um ano depois, 19/07/2015, às 18 horas, todos os atores envolvidos na reabertura do espaço se reúnem para celebrar a data no próprio cinema. Na ocasião, a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e o Movimento Cine Belas Artes lançam oficialmente o Conselho de Amigos do Cine Belas Artes (um grupo de 21 conselheiros, entre os quais cineastas, lideranças culturais, autoridades do executivo e representantes da sociedade civil). Uma das missões deste conselho é assegurar a preservação do cinema como patrimônio histórico, cultural e afetivo da cidade.

“Esperamos que o conselho inspire políticas de incentivo a espaços culturais no contexto de uma cidade mais sustentável”, completa Beto Gonçalves, integrante do MBA e um dos conselheiros. Também estão na lista nomes como Eduardo Suplicy, Facundo Guerra, Renata de Almeida e Tata Amaral.

Depois do anúncio do novo conselho, uma placa homenageando à grande mobilização de reabertura é inaugurada no cinema. 

Em seguida, às 19h30, na Sala 4 - Spcine, representantes da Prefeitura de São Paulo, da Spcine, Caixa Econômica Federal e cine CAIXA Belas Artes assinaram a renovação do contrato de patrocínio. Premiado nos festivais de Berlim e Sundance em 2015, a exibição do filme “Que Horas Ela Volta?”, dirigido por Anna Muylaert e estrelado por Regina Casé, encerrou a cerimônia.

Inauguração da placa que homenageia à mobilização de 2014


Inauguração da placa que homenageia à mobilização de 2014

Inauguração da placa que homenageia à mobilização de 2014

Integrantes do Movimento Cine Belas Artes (MBA)

André Sturm, proprietário e programador do cinema abrindo a cerimônia de renovação do contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal 

Cerimônia de renovação do contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal

O produtor Fabiano Gullane apresentando o seu filme "Que Horas Ela Volta?", exibido no encerramento da noite festiva

Caixa Belas Artes - Estatísticas
Em um ano, o cinema exibiu mais de 560 filmes, dos quais 97 nacionais e 21 estreias exclusivas. Foram promovidas oito mostras especiais e 11 madrugadas do “Noitão”, com a projeção de 60 filmes, além de 12 “Cineclubes”. “Nosso desejo é dar aos filmes a chance de permanecer mais tempo em cartaz para que encontrem seu público. Sempre em busca de diversidade e originalidade”, afirma André Sturm.
Circuito Spcine de Salas de Cinema
Com 144 lugares, a Sala 4 Spcine/Aleijadinho, programada pela empresa, é um dos espaços do CircuitoSpcine de Salas de Cinema. Com a licitação em curso, o programa prevê a implantação de 20 salas de cinema na periferia e na região central da cidade. “Um circuito de salas de rua em toda São Paulo é fundamental para garantir acesso e diversidade de programação”, conclui Alfredo Manevy, diretor-presidente da Spcine (Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo).
Movimento Cine Belas Artes
Em junho de 2015, o MBA foi agraciado com a Menção Honrosa no Prêmio Milton Santos, que homenageia entidades e iniciativas que contribuem para o desenvolvimento social e cultural de São Paulo. 

* Conselho de Amigos do Cine Belas ArtesConselho inovador vai trabalhar pela preservação definitiva do cine Caixa Belas Artes. Como parte do termo de cogestão entre Prefeitura de São Paulo e o gestor do cine Caixa Belas Artes, o Secretário Municipal da Cultura, Nabil Bonduki, assinou, no dia 16/07/2015, a Portaria nº 050/SMC-G/2015 nomeando os 21 membros do Conselho de Amigos do Cine Belas Artes, composto por representantes da sociedade civil e do poder público, e nomes sugeridos pela Secretaria Municipal da Cultura (SMC), pelo Movimento Cine Belas Artes (MBA) e pelo gestor André Sturm, que também participará do organismo. O MBA espera que o Conselho (proposta inovadora de incentivo á preservação de cinemas de rua pelo Poder Público em parceria com a sociedade civil) inspire políticas de incentivo a espaços culturais no contexto de uma cidade mais sustentável nos pontos de vista econômico, ambiental e cultural.
Objetivos
Zelar pelos valores e princípios fundadores do Belas Artes e assegurar a preservação definitiva do cine Belas Artes como patrimônio cultural, histórico e afetivo da cidade de São Paulo e do Brasil. 
Atribuições
- Acompanhar o cumprimento das contrapartidas ao patrocínio da Caixa, negociadas entre SMC e gestor;
- Formular propostas, projetos e ideias para aprimorar a programação;
- Colaborar para tornar o cinema uma Zona Especial de Preservação Cultural - Área de Proteção Cultural (Zepec-APC);
- Contribuir para integrar o Belas Artes aos projetos de revitalização inclusiva do entorno da esquina da consolação com Paulista, no contexto do futuro Corredor Cultural Consolação/Paulista e do Território de Interesse da Cultura e da Paisagem Luz-Paulista (TICP), previsto no novo Plano Diretor Estratégico de São Paulo;
- Avaliar e efetuar recomendações sobre o funcionamento da sala Spcine e programação educativa;
- Estimular e acompanhar o acesso do cinema a incentivos fiscais, linhas especiais de crédito e programas públicos de preservação e fomento ao cinema de rua e de galeria;
- Promover a integração do Belas Artes ao circuito público e alternativo de cinema de rua e galeria a ser implementado pela SMC na cidade de São Paulo.

Texto redigido pela equipe jornalística do Movimento Cine Belas Artes (MBA).
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.