Breve cronologia da história da exibição na cidade de São Paulo

Por Antonio Ricardo Soriano

ESTE TEXTO SERÁ PERIODICAMENTE ATUALIZADO.

07/08/1896
AS PRIMEIRAS PROJEÇÕES - Primeira exibição cinematográfica privada em São Paulo, com o aparelho "Cinématographe Lumière" (cinematógrafo) do fotógrafo Georges Jean Renouleau. Esta exibição inaugural, tem características que vão se manter nas exibições seguintes na cidade, ou seja, pessoas que têm um projetor e um pequeno estoque de filmes (exibidores ambulantes) fazendo apresentações esporádicas, normalmente em lugares públicos como cafés, quermesses ou em parques de diversões.

















08/08/1896
AS PRIMEIRAS PROJEÇÕES - Primeira exibição cinematográfica pública e paga em São Paulo, próxima à antiga catedral da Sé (que foi demolida), com o cinematógrafo de Renouleau.

20/07/1899
AS PRIMEIRAS PROJEÇÕES - O italiano Vittorio Di Maio abre, na Rua 15 de Novembro (na época, Rua do Rosário), o salão “Nova York em São Paulo”, apresentando o Cinetógrafo Edison. Foi o primeiro “espaço” dedicado exclusivamente à exibição cinematográfica em São Paulo (não confundir com um local ou prédio exclusivo, como o Bijou Theatre, que é considerado o primeiro cinema de São Paulo).

11/08/1900
AS PRIMEIRAS PROJEÇÕES - Vittorio Di Maio inaugura, também, na Rua 15 de Novembro, a casa de diversões e novidades "Paris em São Paulo", apresentando um cinematógrafo.

1905
AS PRIMEIRAS EXIBIÇÕES NO INTERIOR PAULISTA - Francisco Serrador, prevendo que o cinema seria a maior diversão do século e uma excelente atividade lucrativa, compra projetores e filmes da Pathé francesa, transformando o cinematógrafo em uma atividade de exibição ambulante, o Cinematógrafo Richebourg. Foi assim que Amparo, Campinas, Itu, Mococa, Ribeirão Preto, São Carlos, e tantas outras cidades paulistas, conheceram o cinema.

16/11/1907
O 1º CINEMA - Francisco Serrador inaugura o Bijou Theatre, na Rua de São João, sendo o primeiro local da cidade de São Paulo criado, exclusivamente, para exibições cinematográficas.















1908
A CENSURA - Uma das primeiras manifestações da censura cinematográfica no Brasil coincidiu com o início das atividades do grande empresário Francisco Serrador no ramo da exibição em São Paulo. Serrador, que seria posteriormente proprietário de centenas de salas nas principais cidades do país, havia alugado um salão dos padres salesianos quando surgiu uma fita considerada imprópria, pela ótica dos padres. Ele então mostrou que o filme poderia ser cortado sem a necessidade de suspender toda sua apresentação. O Grêmio São Paulo foi a primeira sala exibidora de cinema a contar com censura prévia dos filmes apresentados.

1908
O FILME CANTANTE - Produzidos entre 1908 e 1911, eles se caracterizam pela utilização de uma forma peculiar de sonorização: os cantores, posicionados atrás da tela, entoavam ao vivo as canções que faziam parte da trilha dos filmes, isto é, acompanhavam com a voz a movimentação das imagens. Segundo os historiadores, Francisco Serrador, exibidor e produtor espanhol, teria produzido o primeiro, em 1908, protagonizado por Cândido das Neves, cantor e palhaço do Circo Spinelli.

1908
O CINEJORNAL - Francisco Serrador passa a produzir as suas próprias películas, para serem exibidas em suas salas de exibição. Conhece Alberto Botelho, e os dois realizam uma série de cinejornais, registrando os eventos mais importantes da cidade.

1911
O CIRCUITO SERRADOR - Francisco Serrador cria a Cia. Cinematográfica Brasileira, desta vez, uma sociedade anônima. O restante das ações pertencia a vários empresários de outros segmentos da sociedade, que injetaram dinheiro para que a empresa pudesse crescer ainda mais. Com isso, Serrador passou a dominar o mercado exibidor paulista.

29/12/1921
O 1º CINE REPÚBLICA - Francisco Serrador inaugura o primeiro cine República. Ele surge como o melhor, mais moderno e mais luxuoso cinema do Brasil e logo se transforma no ponto de encontro da elite da sociedade paulistana. O cinema deixava de ser diversão popular para ser o principal meio de diversão de todas as camadas da sociedade, desbancando os circos, cafés-concerto e teatros.

1923
O CARTAZ DE CINEMA - É impresso o primeiro cartaz promocional do cinema brasileiro para o filme "João da Mata", de Amilar Alves, incluindo textos (críticas, sinopse e dados da produção) e imagens do filme (fotos).

1929
OS PRIMÓRDIOS DA EXIBIÇÃO SONORA - A fábrica de discos Parlophon consegue introduzir o som do filme "Acabaram-se os otários" (considerado o primeiro filme sonoro brasileiro) em disco, sendo depois sincronizado com a projeção, processo que se transforma num sucesso em São Paulo. Durou pouco este processo, pois a sincronização ficava impossibilitada quando havia o desgaste natural das fitas.

23/09/1929
O CANTOR DE JAZZ - Estreia do primeiro filme sonoro da história do cinema, O Cantor de Jazz, no antigo cine República.

1938
A DUBLAGEM - Exibição do primeiro filme dublado, o desenho animado "Branca de Neve e os Sete Anões", de Walt Disney (1937). A dublagem teve as canções adaptadas para o português pelo compositor João de Barro, o Braguinha. A voz de Branca de Neve ficou a cargo de Dalva de Oliveira, a "rainha do rádio".

1950
A DÉCADA DE OURO - Inicia-se o período de ouro da exibição cinematográfica em São Paulo. Inauguram-se grandes e luxuosos cinemas, como o Universo, com mais de quatro mil lugares e o Marrocos, apontado como o cinema mais luxuoso da América do Sul.

17/04/1952
O NOVO CINE REPÚBLICA - O exibidor Paulo Sá Pinto, que já havia construído dois grandes cinemas na capital paulista, o Ritz (1943) e o Marabá (1944), comprou o prédio onde funcionava o antigo cine República, para reformá-lo e reinaugurá-lo com o filme "A Vida Secreta de Nora", com Loreta Young e Joseph Cotten. Neste cinema, Paulo Sá Pinto lança grandes novidades da tecnologia da exibição.

24/10/1953
A 3ª DIMENSÃO - Paulo Sá Pinto inaugura o processo de exibição em 3ª dimensão no cine República, com o filme "Veio do Espaço". No dia seguinte, no jornal O Estado de S.Paulo, o cine Opera anunciava para breve, a exibição em 3ª Dimensão do filme "Ticonderoga - O Forte da Vingança", e no mesmo programa, "Bichos Papões", uma comédia com os Três Patetas, também em 3D.























1954
OS FESTIVAIS - O I Festival Internacional de Cinema do Brasil teve uma única edição e foi nos meses de janeiro e fevereiro durante as festividades do IV Centenário da Cidade de São Paulo. O cine Marrocos foi palco da mostra.

09/02/1954
O CINEMASCOPE - Paulo Sá Pinto faz a primeira demonstração profissional do CinemaScope no cine República. Exibidores, distribuidores, produtores, diretores, artistas e técnicos ligados ao cinema, bem como cronistas e críticos, radialistas e grande número de convidados pela direção da Fox Film Corporation e Empresa Cinematográfica Sul Ltda., ali compareceram para conferir a grande novidade. A primeira exibição pública foi em 05 de abril de 1954, no cine República, com o filme "O Manto Sagrado".



















07/07/1955
A MAIOR TELA DO MUNDO - Paulo Sá Pinto inaugura a maior tela do mundo (250 m2) no cine República para exibição de filmes em CinemaScope. O primeiro filme exibido na supertela foi "Átila, o Rei dos Hunos", com Jeff Chandler.

14/08/1959
O CINERAMA - Paulo Sá Pinto (sim, ele de novo!) anuncia, em abril de 1959, mais uma inovação. Em uma entrevista, declara que, em Paris, havia assinado um contrato para exibir o Cinerama no cine Comodoro e que seria apresentado aos paulistanos brevemente, tudo dependendo da chegada das máquinas, pois o Comodoro já estava praticamente pronto. O cine Comodoro Cinerama, na Av. São João, 1462, foi inaugurado, às 14 horas, com o filme "Isto é Cinerama". São Paulo foi a única cidade brasileira que realmente assistiu ao Cinerama legítimo, com três projetores trabalhando simultaneamente.

1977
OS FESTIVAIS - O crítico Leon Cakoff criou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que se firmou como o mais importante festival internacional de cinema do país.

Eu poderia citar nesta cronologia a inauguração de diversos cinemas importantes em São Paulo, mas ela ficaria imensa. É mais fácil consultá-los no Banco de Dados do blog. Se você tiver alguma informação ou correção importante, me informe pelo e-mail: aricardorock@hotmail.com. Obrigado.

14/12/2012
EXIBIÇÃO EM 48 FRAMES - Inovação na exibição do filme "O Hobbit - Uma Jornada inesperada"! Exibição digital em 48 quadros por segundo (o dobro das projeções tradicionais) nos cinemas Cinépolis Shopping JK Iguatemi (IMAX), UCI Anália Franco, UCI Jardim Sul e Kinoplex Vila Olímpia. Trata-se de uma projeção em que o fluxo de imagens é mais rápido e mais próximo do que o olho humano assimila, tornando o filme ainda mais realista devido ao fato da imagem estar mais fragmentada, ou seja, ter mais detalhes por quadrado, o que é bastante impactante para o espectador.





















Fontes de pesquisa:
Livro "Salões, Circos e Cinemas de São Paulo", de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981.
Livro “Enciclopédia do cinema brasileiro” - Organizadores: Fernão Pessoa Ramos e Luiz Felipe A. de Miranda - Ed. Senac São Paulo - 2004.
Sites
http://www.centrocultural.sp.gov.br/cadernos/lightbox/lightbox/pdfs/Exibi%E7%E3o.pdf
http://www.arquiamigos.org.br/bases/cine3p/historico/00003.pdf
Instituto Histórico de Petrópolis (www.ihp.org.br)
Cinemateca Brasileira (www.cinemateca.gov.br)
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.