Os lanterninhas de cinema

Por Sylvio Luiz Panza (Escritor)

Hoje em dia é natural que poucos saibam o que eram os chamados lanterninhas ou vaga-lumes, que trabalhavam nos cinemas há algumas déc

adas atrás. Porém, é possível afirmar que todo mundo conhece pelo menos uma pessoa que trabalhou nesta atividade. Esta pode parecer uma afirmação meio estranha, mas ao longo deste texto veremos que ela faz sentido.
O lanterninha de cinema era um profissional que, munido de uma lanterna, tinha a função de acompanhar as pessoas que chegavam atrasadas na sessão de cinema quando as luzes já estavam apagadas. Por saber onde havia um lugar
vago auxiliavam a se direcionarem com

segurança e rapidez ao melhor lugar disponível. Quando a cadeira era numerada a coluna e a fileira era prontamente indicada. O mesmo aconte
cia se alguém desejava ir ao banheiro ou à lanchonete durante o filme.
Também eram muito úteis ao administrar questões como barulhos e conversas que estivessem atrapalhando a plateia. Contudo, eram
criticados ou não muito bem vistos por casais de namorados mais animados ou por aqueles que queriam colocar os pés apoiados na poltrona da frente, por exemplo. Muitos eram alvos de xingamentos e até levavam umas pipocadas, uma injustiça com quem estava ali para ajudar a plateia.
Na verdade o desempenho do lanterninha tanto podia ser o de auxílio, como um transtorno, dependendo do seu estilo de atuação. Podemos comparar com um arbitro de futebol: os melhores eram aqueles que menos apareciam.
Era comum alguns destes profissionais tomarem uma postura mais policial do que de auxiliador e, no meio do filme, o seu facho de luz
percorria as fileiras para que ele pudesse averiguar se estava correndo tudo bem.
Durante um bom tempo os lanterninhas tinham um estiloso e característico uniforme que dava certo glamour às chamadas salas de espetáculos. Hoje eles foram substituídos pela iluminação nos degraus que levam às poltronas dos cinemas e a "disciplina", bem, esta ficou por conta do bom senso da própria plateia.
Ah, sim! Quanto à afirmação de que todos nós já conhecemos pelo menos um lanterninha é porque há um ilustre personagem que trabalhou nesta profissão no início da sua carreira e, como o mundo dá voltas, acabou saindo dos corredores e fileiras dos cinemas para fazer sucesso inclusive dentro das telas. Seu nome é Elvis Presley!
Elvis lanterninha?
Por Antonio Ricardo Soriano
Elvis Presley trabalhou como porteiro no Loew’s State Theatre (152 S. Main Street, Memphis), em 1950, logo quando recebeu sua carteira de trabalho (Social Security card # 409-52-2202). Depois, em 1952, voltou a trabalhar no mesmo local, mas por pouco tempo.
O porteiro de cinema nos EUA têm as mesmas funções dos nossos antigos lanterninhas. Veja a descrição completa das funções de um porteiro de cinema nos EUA.

Na foto, Elvis Presley segura um quepe de porteiro com seu antigo patrão, Mr. Groom, proprietário do Loew’s State Theatre. Foi um momento divertido e talvez a última vez que Elvis participou de um evento promocional para um de seus filmes (Jailhouse Rock, 1957).

Loew's State Theatre. Nesta foto, podemos observar a divulgação da pré-estreia de "Love Me Tender", primeiro filme de Elvis Presley.
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.