Filmes em cartazes

Produção de placas e fachadas promocionais dos cinemas quando não havia tecnologia de impressão de grandes formatos.
Por Sylvio Luiz Panza (Escritor)
Nos meados da década de oitenta eu trabalhava próximo da Avenida São João e sempre passava em frente aos tradicionais cinemas, que começavam a perder espaço para as novas salas instaladas nos shopping centers que surgiam aqui e ali pela cidade de São Paulo.
Certa vez percebi, naquela mesma avenida, uma pequena porta entreaberta que parecia ser uma marcenaria muito simples, mas que me chamou a atenção, pois havia um artista pintando, à meia luz, uma grande tela.

Muitos cartazes no cine Belas Artes
Ao entrar para conversar com aquele pintor me deparei com vários painéis de filmes de cinema que entrariam em cartaz nos cinemas da cidade.
Nunca havia parado para reparar que, pelo alto custo das tecnologias de grandes impressões, que ainda engatinhavam naquela época, os cinemas utilizavam o trabalho de artistas que pintavam manualmente suas fachadas e cartazes promocionais dos filmes.

Grande cartaz no cine Ipiranga
Cada sala era responsável pelas placas de divulgação interna e externa dos filmes, dependendo da habilidade de marceneiros e pintores para chamar a atenção do público, incluindo em alguns casos simples efeitos de iluminação e de maquetes, muito diferentes do que vemos hoje nas literalmente cinematográficas produções publicitárias de cada estreia.
Em uma longa conversa com o desenhista fiquei sabendo que aquele tipo de arte já estava deixando de existir, por conta das novas tecnologias que substituíam este trabalho de forma mais prática, padronizada e com alta qualidade.
A necessidade de concluir a pintura de enormes painéis com grande rapidez muitas vezes resultava em ilustrações que apenas lembravam os rostos de atores e atrizes do filme.
Acredito que eu tenha, naquela ocasião, visitado um dos últimos estúdios de produção manual de cartazes promocionais para filmes de cinemas, que davam um maravilhoso ar artesanal às salas de projeção de antigamente.
Hoje a publicidade dos filmes já é um espetáculo à parte, que também trará boas lembranças no futuro, quando novas tecnologias surgirão.
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.